domingo, 29 de janeiro de 2012

Conflito no Paraguai preocupa, diz embaixador brasileiro

fonte: O Globo

BUENOS AIRES - O conflito entre movimentos de sem-terra paraguaios e proprietários de terra brasileiros, os chamados brasiguaios, é antigo no Paraguai, mas, nos últimos meses, ganhou novos contornos com o surgimento da Liga Nacional de Carperos, um grupo radical em seu discurso e metodologia, que não conta com o apoio de outros movimentos rurais do país. As recentes invasões de terras no departamento (estado) de San Pedro, terra natal do presidente Fernando Lugo, provocaram uma enérgica reação por parte dos brasileiros, que levaram suas queixas à embaixada do Brasil em Assunção e pediram o impeachment de Lugo pela “inação de seu governo”.

O assunto foi discutido pelo embaixador do Brasil no Paraguai, Eduardo dos Santos, em reunião na última terça-feira, no Palácio de López, sede do Executivo paraguaio. Segundo informou a imprensa local, após o encontro o embaixador defendeu a necessidade de encontrar uma solução “legal e institucional” para o conflito entre os carperos e os produtores brasileiros.

- A situação nos preocupa, esperamos que se pacifique e haja diálogo - declarou Santos, que após o encontro não voltou a se pronunciar sobre o assunto.
Os carperos pretendem que o governo Lugo recupere áreas em poder dos brasileiros e as redistribua entre os sem-terra. O grupo argumenta que as terras são do Paraguai, que foram ilegalmente apropriadas pelos produtores brasileiros. Um dos empresários brasileiros envolvidos no conflito é Tranquilo Favero, o maior produtor de soja do país, cujas propriedades, nos últimos meses, foram alvo de invasões organizadas pelo novo grupo de sem-terra paraguaios. No ano passado, cerca de 600 famílias de camponeses ocuparam terras que Favero possui, segundo ele legalmente, na região do Alto Paraná.

Nos últimos dias, os carperos deram um ultimato a Lugo, que vencia na próxima segunda-feira. No entanto, ontem, um dos líderes do grupo, Victoriano López, esclareceu que eles não poderiam “dar um prazo ao governo para resolver este problema”.

- Nós sabemos que a lei nos ampara, porque são terras públicas - disse o líder carpero.

As invasões de terras são um problema crônico no Paraguai. Nos primeiros meses após tomar posse, em agosto de 2008, Lugo criou uma mesa de diálogo entre seu governo e líderes camponeses, mas as conversas fracassaram. Durante sua campanha, o presidente prometera uma reforma agrária, mas a falta de apoio no Congresso impediu o avanço de qualquer iniciativa nesse sentido. Os sem-terra insistem em defender as ocupações ilegais como metódo legítimo de protesto, e os sucessivos governos não conseguem encontrar uma solução capaz de pôr fim ao conflito. Muitos casos já foram parar na Justiça e esse delicado problema bilateral já faz parte do dia a dia dos consulados brasileiros em Assunção, e, principalmente, em Cidade do Leste, na fronteira com o Brasil.

Lugo esteve nesta sexta-feira em São Paulo, mas não falou com a imprensa. Ele foi ao Hospital Sírio-Libanês, onde soube que houve remissão completa do câncer linfático descoberto em agosto de 2010. Lá, encontrou-se com o ex-presidente Lula, que nesta sexta-feira fez mais uma sessão de radioterapia para combater o câncer na laringe, e com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O conteúdo da conversa entre eles não foi divulgado por suas assessorias de imprensa.

A senhora do pré-sal / Graça Foster leva "estilo Dilma" ao comando da Petrobras

fonte: Carta Capital / Folha / Reuters

A senhora do pré-sal
Luiz Antonio Cintra


Maria Graça Foster é a indicada para a presidência da Petrobras, no lugar de Gabrielli, que irá para o governo baiano. Foto: Renato Frasnelli

Em sua próxima reunião ordinária, marcada para o dia 9 de fevereiro, o Conselho de Administração da Petrobras apreciará a indicação da engenheira química mineira Maria das Graças Silva Foster, há 32 anos trabalhando na empresa, como substituta do economista baiano José Sergio Gabrielli, na presidência da companhia há quase sete anos.

A data entrará para a história da estatal brasileira de economia mista, controlada pela União, à medida que se confirme a chegada da primeira mulher ao comando da empresa, de longe a maior do País em investimentos planejados. Até 2015, Graça Foster, como prefere ser chamada, será responsável por investir nada menos que 224,7 bilhões de dólares, dos quais 127 bilhões irão para explorar as reservas do pré-sal, dando continuidade ao planejamento estratégico da companhia.

Falando a CartaCapital de Davos, na Suíça, Gabrielli confirmou o convite – e a decisão de aceitá-lo – do governador da Bahia, Jacques Wagner, que o chamou para ocupar uma secretaria no governo baiano. Ainda falta decidir qual será a pasta. Gabrielli aproveitou para rebater a narrativa que uma parcela da grande mídia buscou criar logo após o anúncio da troca de comando, segundo a qual somente agora a presidenta Dilma teria “assumido o controle da Petrobras”, já que Gabrielli tomou posse indicado por Lula. “Querem criar uma versão da minha saída colocando antagonismos, entre uma suposta gestão política minha e uma gestão técnica da Graça, mas isso não existe. Mencionam o valor de mercado da companhia no último ano, mas é preciso olhar para a trajetória toda. Fui o presidente mais longevo da Petrobras, e no período a empresa passou de um valor de mercado de 14 bilhões de dólares em 2002 para os atuais 160 bilhões.”

No balanço que faz da própria gestão, Gabrielli destaca ainda o que considera uma mudança radical na orientação da estatal, colocada na lista das empresas a serem privatizadas, rebatizada de Petrobrax, dos tempos de FHC. “Era uma empresa fragmentada, pulverizada, que estava sendo preparada para ser vendida aos pedaços, e fizemos um esforço grande no -sentido contrário, de fortalecer a empresa. Também recuperamos o portfólio de exploração, que estava diminuindo. E investimos para encontrar petróleo, mas também para desenvolver a produção e o refino, onde resolvemos vários gargalos e passamos a investir em novas refinarias.”
A entrada da empresa no setor de biocombustíveis e os investimentos na produção de etanol também são apontados como pontos positivos, assim como o que o atual presidente considera uma “redefinição” das relações com o mercado. “E fizemos a maior capitalização da história, para dar solidez e ter a estrutura de capital necessária para arcar com os investimentos do pré-sal”, avalia. “Mas a verdade é que fui apenas o maestro de uma orquestra formada por músicos de primeira, os funcionários da companhia.”

Funcionária da estatal desde 1978, quando entrou na empresa como trainee, Graça Foster, hoje com 58 anos, tem uma trajetória inusitada. Nascida em Caratinga (MG), mudou-se para o Rio de Janeiro aos dois anos de idade, indo morar com a família em uma favela, hoje parte do Complexo do Alemão. Com dez anos, trabalhava como catadora de papéis para ajudar nas despesas de casa, enquanto seguia estudando.

Graduada em engenharia química na UFRJ, cursou pós-graduação no -Coppe, centro de pesquisas dirigido por Luiz Pinguelli Rosa, que foi professor de Graça e, mais tarde, seu colega de trabalho quando Pinguelli Rosa dirigiu a Eletrobras, no governo Lula.

Em entrevista a CartaCapital, em novembro de 2011, Graça comentou a política de preços da Petrobras, dando sinais de que o foco da companhia é o mercado interno. “Nossa política de preços é de 2002. De lá até hoje o preço do petróleo variou entre 35 e 110 dólares, chegando a 147 dólares por algumas horas. Com toda essa volatilidade, se a política de preços fosse curta, criaríamos dificuldades para o nosso cliente final, que é o nosso ativo mais precioso, mais importante do que refinarias e termoelétricas. A Petrobras é a única major a vender 85% do que produz no mercado interno, logo, preservar a capacidade de consumo da população é importantíssimo”, afirmou. E destacou o papel do -País como produtor mundial. “Estamos entre os países responsáveis por manter o brand no patamar atual, em torno de 100 dólares.” E apontou um ponto crítico que terá de ser enfrentado pela política nacional de energia, a começar pelo etanol, onde a Petrobras já detém 5,3% da oferta, por meio de parcerias com grandes usinas. “O álcool passa por um problema conjuntural, resultado do alto consumo de açúcar. Mas tudo isso faz parte de uma curva de aprendizado. Aprendemos quais são as sinergias entre os combustíveis renováveis e os fósseis que nos garantem uma maior estabilidade de receita. A ajuda (da Petrobras para elevar a oferta de álcool) é consequência dos bons resultados em petróleo. Sou conselheira da Petrobras Biocombustíveis e fico muito brava quando ouço críticas ao interesse da empresa nessa área. Temos uma série de projetos greenfield para o álcool. A visão agora é outra, somos uma empresa de energia.”

Segundo especialistas, entre os desafios colocados à estatal está a conclusão de obras importantes como a refinaria em parceria com a venezuelana PDVSA, em Pernambuco. Assim como as novas plataformas para a exploração do pré-sal, um desafio de engenharia que, conforme a política oficial, adotada desde o governo Lula, busca também ampliar a participação da indústria brasileira na cadeia de petróleo e gás natural, muito dependente de importações.
*Colaborou André Siqueira

Graça Foster leva "estilo Dilma" ao comando da Petrobras

DA REUTERS, NO RIO


A primeira mulher a alcançar a presidência da Petrobras tem um estilo gerencial bem parecido com o da presidente Dilma Rousseff. Exigente e determinada, Maria das Graças Silva Foster costuma ser dura com quem não atende suas demandas.

Com fama de brava, Graça Foster, como é chamada, desperta admiração daqueles que trabalham diretamente com ela por seus conhecimentos técnicos e firmeza nas cobranças que faz e também por sua garra e superação diante das dificuldades vividas na infância.

Nascida em Caratinga, no interior de Minas Gerais, em 26 de agosto de 1953, mudou-se com apenas dois anos de idade para o Rio, onde cresceu no Morro do Adeus, no Complexo do Alemão, comunidade pobre que por anos foi ícone de violência da cidade, até ser pacificada em 2010.

Além de uma pequena bandeira do Botafogo, seu time, Graça exibe imagens de outras paixões em sua sala espaçosa do 24º andar da sede da Petrobras. Sobre a mesa, fotos da neta de 16 anos e do casal de filhos --um estudante de jornalismo e uma médica. Também guarda uma fotografia dela junto ao atual presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

Graça Foster gosta de caminhar e ir à missa todos os domingos. Apesar de ser católica, preserva em sua sala algumas imagens de orixás, que segundo alguns conhecidos foram lhes dadas de presente.

Com uma carga de trabalho que ultrapassa diariamente 12 horas --ela chega todos os dias às 7h30 na Petrobras--, Graça Foster demonstra paixão pelo trabalho.
Costuma exibir com orgulho o livro de capa dura que mostra alguns trechos dos gasodutos construídos sob sua gestão --foram mais de 5.000 quilômetros em cinco
anos. "Este aqui é o meu bebê", costuma dizer.



Sérgio Lima - 20.nov.07/Folhapress
A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, que deve assumir a presidência da empresa
A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, que deve assumir a presidência da empresa

PERFECCIONISMO
Assessores, funcionários e executivos que trabalham com Graça são unânimes em destacar o que consideram a sua principal marca: o perfeccionismo. Uns relatam que ela às vezes é dura demais com quem não atende a suas exigências.

Costuma visitar os projetos que dirige, para ver o andamento das obras, como fez nos cinco últimos anos à frente da grande expansão da malha de gasodutos da Petrobras.

Uma das 50 mulheres em ascensão no mundo dos negócios segundo o jornal inglês "Financial Times", Graça Foster tem apoio de Dilma desde 2003, quando foi indicada para ocupar a secretaria de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, que era comandado na ocasião pela atual presidente.

Graduada em Engenharia Química pela Universidade Federal Fluminense, tem mestrado em Engenharia Química e pós-graduação em Engenharia Nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e MBA em Economia pela Fundação Getulio Vargas.

Funcionária de carreira da Petrobras, onde ingressou como estagiária de engenharia em 1978, assumiu a diretoria de Gás e Energia em setembro de 2007.

NEGOCIAÇÕES DURAS
Em um caso que ilustra bem a sua personalidade, Graça mandou cortar 30% do gás fornecido à distribuidora de gás do Rio, a CEG, porque a empresa não teria cumprido uma acordo estabelecido com a estatal.

"Ela faz valer o que está escrito, é muito exigente e rigorosa com prazos", diz uma fonte próxima à futura presidente da Petrobras.

Apesar da fama de brava, foi justamente na sua gestão à frente da diretoria de gás e energia que a Petrobras encontrou paz junto à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Graça Foster assumiu o cargo atual com o desafio de acalmar os ânimos entre a estatal a agência, que brigavam porque não havia gás natural suficiente para atender ao mesmo tempo os segmentos industrial, residencial e termelétrico. A reguladora queria que a Petrobras desse prioridade às térmicas, o que foi atendido sob sua gestão.

A estatal colocou em prática um plano para aumentar a oferta de gás, que teve como base as enormes descobertas de petróleo (com gás natural associado) realizadas ao longo da última década e dos investimentos pesados da Petrobras em gasodutos.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Raimundo de Souza Dantas (1923 – 2002)

fonte: A Cor da Cultura

Único embaixador negro do Brasil. Contista, romancista, jornalista e ensaísta.

Nasceu em Estância/ SE, em 11 de fevereiro de 1923. Filho de família humilde, de mãe lavadeira e pai pintor de parede. Raimundo desde muito cedo teve de trabalhar, aprendendo vários ofícios. Foi aprendiz de ferreiro e de marceneiro, e, ainda em Estância, foi entregador de embrulhos de uma casa comercial. Aos dezesseis anos foi trabalhar numa tipografia. Foi nessa tipografia que começaria o seu processo de alfabetização. Mudou-se para Aracaju passando a trabalhar na tipografia onde eram publicados os jornais de Estância e da própria capital sergipana.

Foi nessa época, já nas oficinas do Correio de Aracaju, ouvindo várias leituras de textos de Jorge Amado, Machado de Assis e Marques Rebelo, feitas com o auxilio do amigo Barbosa, um amante da literatura moderna, que consolidou seu letramento. Com ajuda do amigo Armindo Pereira, passaria a escrever no periódico Símbolo.

Aos dezoito anos (1941), chegou ao Rio de Janeiro onde começou a trabalhar no semanário Diretrizes, depois passou a colaborar nos periódicos Vamos Ler, Carioca e Diário Carioca, onde atingiu o posto de redator. Em 1944 escreveu seu primeiro livro, o romance, “Sete Palmos de Terra”, com uma linguagem simples e repleta de recordações de Estância.

No Rio, tornou-se amigo de grandes escritores, como Graciliano Ramos. No ano seguinte, em 1945, lançava seu segundo livro, de cunho autobiográfico, e fundava o Comitê Democrático Afro-brasileiro, com Solano Trindade, Aladir Custódio e Corsino de Brito. Essa associação lutava pela inserção da população afro-brasileira no processo de redemocratização, através da luta pela melhoria das condições de trabalho e de educação.

Já como jornalista consagrado casou-se com Idoline com quem no ano seguinte teve seu primeiro filho, Roberto. Em 1949 publicaria mais um livro, desta vez para a Campanha de Educação de Adultos do Ministério da Educação e Saúde, onde relatava toda a sua trajetória de vida.

Foi nomeado oficial de gabinete do governo de Jânio em 1961, para em seguida ser designado a Gana como o primeiro embaixador negro do Brasil, em já nos anos 70, assumiu a embaixada da Argentina (1976).

Entre as duas nomeações, trabalhou no serviço público federal como técnico de assuntos educacionais, cabendo-lhe organizar no MEC o Setor de Relações Públicas. Foi membro do Conselho Nacional de Cinema, INC, e integrou a comissão para criação de serviços educacionais nos Museus; participou também do Conselho Estadual de Cultura, no Rio de Janeiro.

Obras publicadas: Sete palmos de Terra, 1944. Agonia, 1945. Bernanos e o problema do romancista católico, 1948. Solidão nos campos 1949. Vigília da Noite, 1949. Um Começo de Vida, 1949. Reflexões dos 30 anos, 1958. África Difícil, 1965.

Faleceu no Rio de Janeiro em 2002.


Embaixador brasileiro defende Ahmadinejad

fonte: Folha de São Paulo / Vermelho

O embaixador brasileiro em Teerã, Antonio Salgado, advertiu contra a "demonização" do Irã e disse que a frase "infeliz" do presidente Mahmoud Ahmadinejad sobre "varrer Israel do mapa" - citada como evidência de intenções agressivas - foi "aparentemente mal compreendida" no Ocidente.

"Na realidade ele não queria dizer que Israel deveria desaparecer do mapa, mas sim desaparecer da história. Seria mais uma analogia com o que aconteceu com a União Soviética ou a África do Sul do apartheid", afirmou Salgado em debate no Rio com o chanceler britânico, William Hague.

O diplomata disse que, em vez de aprovar novas sanções contra o Irã -defendidas por Hague como "pressões pacíficas"-, o Ocidente deveria insistir em negociações sobre o programa nuclear. Citou a proposta "passo a passo" feita pela Rússia, que prevê um processo paulatino de concessões mútuas.

"Não estou defendendo o Irã, mas existe nos últimos anos uma demonização que tem mais a ver com a fase inicial da revolução [islâmica]. Depois houve oportunidades de normalizar relações com o Ocidente que foram perdidas", acrescentou.

Ao relativizar a declaração de Ahmadinejad - por sua vez uma citação do aiatolá Khomeini, líder da Revolução Islâmica - o diplomata retomou polêmica que vem desde que ela foi reportada pelo New York Times em 2006.

Especialistas como o americano Juan Cole dizem que a frase foi mal traduzida e a versão correta é metafórica, e não uma ameaça de guerra: "Esse regime de ocupação sobre Jerusalém deve desaparecer da página do tempo".

Outros, porém, argumentam que o próprio governo do Irã já usou a expressão "varrer do mapa" em páginas em inglês na internet.

No debate promovido pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) no palácio do Itamaraty, Hague não recuou diante das críticas de brasileiros - que também questionaram, como o embaixador Marcos Azambuja, a viabilidade de uma solução para o caso iraniano enquanto Israel mantiver arsenal atômico.

O britânico disse que a recente invasão da embaixada de seu país em Teerã "mostra como é difícil tentar boas relações com o Irã" e que há "sinais perigosos" vindos do país, como o suposto complô para matar o embaixador saudita em Washington.
Fonte: Folha de S. Paulo

sábado, 21 de janeiro de 2012

CRE Senado 15.12.2011 - 61ª Reunião Ordinária – Parte 3 - Brasil-Costa do Marfim

A Constituição Federal atribui competência privativa ao Senado Federal para examinar previamente e por voto secreto a escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente.

Nesse sentido, esta Casa legislativa é chamada a opinar sobre a indicação que o Presidente da República faz do Sr. Alfredo José Cavalcanti Jordão de Camargo, Ministro de Segunda Classe da Carreira de Diplomata do Ministério das Relações Exteriores, para exercer o cargo de Embaixador do Brasil junto à República do Marfim.

Quanto à grafia do nome do país, registre-se, desde logo, que o Governo ivoriano solicitou, em 1985, que os demais Estados e a Organização das Nações Unidas (ONU) deixassem de usar formas traduzidas do nome do país e passassem a utilizar, de modo exclusivo, a língua francesa, portanto, Côte d’Ivoire.

De acordo com o currículo elaborado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) em razão de preceito regimental, o indicado é filho de José Antonio Correa Jordão e Myrtes Cavalcanti Jordão de Camargo, tendo nascido em 17 de março de 1957, em São Paulo. Graduou-se em Ciência da Computação pelo Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo em 1978 e em Administração de Empresas na Universidade Estadual da Geórgia nos Estados Unidos da América.

Em 1982, ingressou no Curso Preparatório da Carreira Diplomática. Tornou-se 3º Secretário no ano seguinte. Foi promovido a 1º Secretário em 1995; a Conselheiro em 2001; e a Ministro de Segunda Classe em 2006. Entre as funções desempenhadas na área pública, destacam-se as de Conselheiro e Encarregado de Negócios da Embaixada em Windhoek; Assistente e Chefe substituto da Divisão de Operações de Promoção Comercial de 1999 a 2003; Cônsul no Consulado na Cidade do Cabo de 2003 a 2006; e Conselheiro e Ministro-Conselheiro na Embaixada em La Paz no ano de 2006.

O Ministério das Relações Exteriores anexou à mensagem presidencial sumário executivo sobre a República do Marfim – eles não gostam, mas eu vou chamar assim. O documento apresentado dá notícia histórica do relacionamento bilateral, bem como oferece amplo leque de informações sobre o país com destaque para as relacionadas com o intercâmbio comercial entre os dois Estados.

O Brasil reconheceu a independência da nação em objeto em 1960. A abertura da Embaixada em Abidjã, no entanto, só ocorreu em 1969. Dois anos depois, o governo ivoriano abre Embaixada residente em Brasília. Desde então, percebe-se relacionamento bilateral consistente. O intercâmbio comercial alcançou a cifra de US$ 153 milhões em 2010. Cuida-se do dobro das trocas verificadas no ano de 2002. Nossa pauta de exportação é composta por açúcar, fios-máquina e derivados bovinos. Importamos fundamentalmente cacau – 80% das exportações ivorianas. O comércio bilateral revela-se bastante equilibrado. No campo da cooperação, merece destaque a atuação recente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa.

No plano político, o país padece ainda de falta de estabilidade, porquanto, desde o romper deste século, tem sofrido com sucessivos golpes de Estado e consequente escalada de conflito armado. A crise eleitoral de 2010 atormentou a vida política da nação. A comunidade internacional está atenta e acompanha o desenrolar dos acontecimentos por meio de missões internacionais de mediação da crise no sentido do reconhecimento da vitória de Alassane Ouattara, que assumiu o poder.

Em relação aos assuntos consulares, a Embaixada em Abidjã tem jurisdição consular sobre todo o território de Côte d´Ivorie. Estima-se que a comunidade brasileira seja composta de 113 pessoas. Esses brasileiros ostentam também, em sua maioria, a nacionalidade libanesa.

Diante do exposto, estimo que os integrantes desta Comissão possuem elementos suficientes para deliberar sobre a indicação presidencial.

CRE Senado 15.12.2011 - 61ª Reunião Ordinária – Parte 2 - COP-17

Resultados da Conferência de Durban

A 17ª Conferência das Partes (COP-17) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática terminou às 6 da manhã do último domingo, dia 11 de dezembro, em Durban, na África do Sul, após 14 dias de árdua negociação.
As deliberações resultaram num documento insatisfatório, inconclusivo e francamente decepcionante. A assim chamada “Plataforma de Durban” tem como pontos principais:

a prorrogação dos compromissos do Protocolo de Quioto para além de 2012, por mais 5 (cinco) ou 8 (oito) anos, a ser negociado no ano próximo;

Acordo para a negociação de novo pacto global, mais abrangente. Os termos precisos da fórmula adotada foram “desenvolver um novo protocolo, outro instrumento legal, ou resultado acordado com força legal que será aplicado a todas as partes à convenção climática das Nações Unidas”.

Este novo instrumento deverá ser adotado até 2015 e deverá ser implementado a partir de 2020; e,

Criação de um “Fundo Verde”, destinado a possibilitar que países mais pobres recebam recursos dos países desenvolvidos para mitigar e combater os efeitos da mudança climática. Foram declaradas intenções de doação de 40 milhões de Euros da Alemanha e 15 milhões de Euros da Dinamarca para “operacionalizar” o Fundo, mas não há nenhum compromisso assumido para o financiamento a longo prazo deste mecanismo.

E mesmo esse resultado pouco ambicioso só foi alcançado pelos denodados e incansáveis esforços da Delegação brasileira, liderados pela Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, Chefe da Delegação, e pelo Negociador-Chefe, Embaixador Luiz Alberto de Figueiredo Machado. Não fossem eles e sua capacidade de construir consensos, as divergências entre os grupos antagônicos seria intransponível. A Conferência de Durban teria passado à História como a derrocada da causa ambientalista e de uma visão generosa para o futuro de nosso planeta.

Faltou aos negociadores dos principais países o descortino para reconhecer o sentido de urgência que o tema clama e exige. A atitude do Canadá de comunicar formalmente sua retirada do Protocolo de Quioto na segunda-feira seguinte ao fim da Conferência, é evidência irretorquível da incapacidade em superar as demandas do curto prazo. O imediatismo e a falta de estratégia de longo prazo não são, infelizmente, atributos exclusivos dos países desenvolvidos, mas recai também em países em desenvolvimento, inclusive em alguns de nossos parceiros no BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China).

Esta premência se faz especialmente aguda quando nos deparamos com a situação dos pequenos Estados-Ilhas, agrupados na “Alliance of Small Island States”. Para países como Tuvalu, Kiribati, no Pacífico Sul e as Maldivas, no Oceano Índico, trata-se de sua própria existência. O caso das Maldivas é exemplar, seu ponto culminante não ultrapassa 2,4 (dois metros e quarenta centímetros) e a altitude média é de meros 1,5 m ( um metro e meio). Se a comunidade internacional não for capaz de impedir que o aumento da temperatura se fixe em menos de 2 graus Celsius acima do nível pré-industrial – índice em que diversos cientistas afirmam ser irreversíveis as consequências das mudanças climáticas – estes países simplesmente poderão deixar de existir.

A crise europeia, raiz da pior crise econômica mundial nos últimos cinquenta anos, certamente não é o melhor, nem o mais propício, dos cenários para negociar um acordo global para reduzir o processo de mudança climática. Mas é forçoso reconhecer que o que está em jogo não é salvar a economia de uns poucos países. A crise não é argumento bastante para protelar, procrastinar, na discussão séria da questão da mudança climática. Trata-se, afinal, da sobrevivência dos 7 bilhões de habitantes de nosso planeta.

Cumpre registrar, finalmente, que se bem o resultado da COP-17 não tenha sido dos mais auspiciosos, servirá no entanto para evitar que a agenda da Rio+20 seja “sequestrada” pela necessidade ineludível de preservação do arcabouço jurídico da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e dos compromissos assumidos no Protocolo de Kyoto.

São esses os informes do Sr. Presidente Fernando Collor.

CRE Senado - 15/12/2011 61ª Reunião Ordinária – Parte 1 - Brasil-Argentina

CRE Senado - 61ª Reunião Ordinária – Parte 1

fonte: www.senado.gov.br

O SR. PRESIDENTE (Aloysio Nunes Ferreira. Bloco/PSDB – SP) – Declaro aberta a 61ª reunião ordinária da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da 1ª Sessão Legislativa Ordinária da 54ª Legislatura.

Antes de iniciarmos os nossos trabalhos, proponho a dispensa da leitura e aprovação da Ata da reunião anterior.

Os Srs. Senadores que aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovado.

Inicialmente, o primeiro item da pauta é um informe a respeito da visita da Senhora Presidente da República Dilma Rousseff à Argentina para cerimônia de posse da Presidente Cristina Fernandes de Kirchner, em Buenos Aires, 10 de dezembro de 2011.

A Presidenta Dilma Rousseff participou da cerimônia de posse da Presidenta da República Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, em 10 de dezembro, em Buenos Aires. A cerimônia ocorreu no plenário do Congresso Nacional, onde a Presidenta Cristina Fernández de Kirchner fez juramento constitucional, seguido de discurso à nação. Em seguida, foi realizada cerimônia na Casa Rosada, em que a Presidenta argentina recebeu os cumprimentos dos Chefes de delegações estrangeiras.

Hoje, o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina. Em 2010, o intercâmbio bilateral chegou a US$ 33 bilhões. De janeiro a novembro de 2011, o volume do comércio cresceu 23,5% em relação ao mesmo período de 2010 e chegou a US$ 36,5 bilhões, o que já garante a 2011 o recorde da série histórica do comércio bilateral. As projeções indicam que o comércio este ano deverá ultrapassar os US$ 40 bilhões sendo que mais de 80% do intercâmbio entre o Brasil e a Argentina é composto por bens industrializados.

A imprensa argentina dedicou ampla cobertura à presença da Senhora Presidenta da República, destacando a corroboração da aliança prioritária entre os dois países e a boa relação pessoal que se estabeleceu entre as duas Presidentas.

Nos momentos iniciais de seu discurso no Congresso, a Presidenta argentina fez sentida referência à foto, publicada há pouco pela imprensa internacional, que mostra a Presidenta Dilma Rousseff, no início dos anos 70, sendo interrogada por militares. Depois de relacionar a foto à situação dos Direitos Humanos na Argentina durante a última ditadura, Cristina Fernández de Kirchner ressaltou que a jovem que nela aparece "amiga, companheira e Presidenta", está hoje à frente "de um dos países mais importantes do mundo".

Primeira Chefe de Estado a apresentar cumprimentos à Presidenta argentina, na Casa Rosada, a Presidenta Dilma Rousseff foi também, segundo registro da imprensa, a que maiores atenções recebeu da anfitriã.

Compareceram também à posse os Presidentes de Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai e Honduras, além do Príncipe herdeiro da Espanha, bem como numerosas outras delegações.

Além das duas cerimônias oficiais, no Congresso e na Casa de Governo, a Senhora Presidenta da República reuniu-se com o Presidente de Honduras, Porfírio Lobo, a pedido deste. Ainda no dia 10, Vossa Excelência manteve encontro bilateral com o Chanceler da Nicarágua, Samuel Santos López.

A visita foi precedida de reunião, no dia 9 de dezembro, entre os Ministros do Desenvolvimento e Indústria do Brasil e da Argentina, Fernando Pimentel e Débora Giorgi, para discutir a implementação do Mecanismo de Integração Produtiva que as Presidentas haviam acordado no último dia 02/12/2011, em Caracas, à margem da reunião da CELAC. Após ser empossada pela Assembleia Legislativa, a Presidenta Cristina Fernández de Kirchner tomou juramento ao seu gabinete ministerial. Em palavras dirigidas ao povo na Praça de Maio, sublinhou a importância tanto da juventude quanto do sindicalismo na base do governo. O Congresso da Nação foi convocado a sessões extraordinárias até 30/12. A Presidenta Cristina Fernández de Kirchner tomou juramento aos novos integrantes do seu gabinete no dia 10 de dezembro, após ser empossada pela Assembleia Legislativa.

3. Também prestaram juramento o Secretário-Geral da Presidência, Oscar Parrilli; o Secretário Legal e Técnico da Presidência, Carlos Zannini; o Secretário de Inteligência, Héctor Icazuriaga; o Secretário de Cultura, Jorge Coscia; e a Procuradora do Tesouro, Angelina Abbona.

4. Em seguida, a Presidenta Cristina Fernández de Kirchner dirigiu-se à multidão, congregada na Praça de Maio. Agradeceu os jovens, os movimentos sociais e os trabalhadores, qualificados de "vanguarda" do governo nos "momentos mais difíceis".

5. Fez questão de sublinhar que "não há diferenças entre jovens e trabalhadores, todos lutam por um país mais justo, livre e igualitário". Ao colocar em mesmo nível sindicalismo e juventude, buscou com certeza relativizar a percepção, evidente em seu discurso no Congresso, pouco antes, de que prioriza a militância K em detrimento das estruturas sindicais do peronismo.

6. Por fim, após recordar o legado do ex-Presidente Nestor Kirchner, instou os argentinos a "virar a página da confrontação".

7. Foi publicado no Boletim Oficial decreto presidencial que convoca o Congresso da Nação a sessões extraordinárias até o final do ano. A pauta legislativa contém quatorze projetos, dos quais os prioritários são: orçamento 2012; prorrogação das leis de emergência econômica e dos impostos aos cigarros e aos cheques; regulamentação da propriedade de terras por estrangeiros (enfatizada pela Presidenta no discurso de posse); modificação da lei penal tributária para agravar as penas por evasão; alteração do Código Penal em matéria de lavagem de dinheiro e de atividades com finalidade terrorista; e declaração da fabricação de papel para jornal como de interesse público. Revigorado com a recuperação da maioria em ambas as Casas, o governo buscará ter esses temas aprovados até 30 de dezembro.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"Silveira resgatou a 'política externa independente', com as limitações do momento", diz Amorim


Leia abaixo o depoimento do chanceler Celso Amorim, em entrevista à Folha, sobre Antônio Azeredo da Silveira, chanceler de Ernesto Geisel (1974-1979), cuja última entrevista está sendo publicada em livro. Na época de Silveira, Amorim trabalhou na OEA (Organização dos Estados Americanos) e na assessoria de Planejamento do Itamaraty.


"Num momento muito difícil da história do Brasil, Silveira representa um resgate da 'política externa independente' que havia se firmado nos governos Jânio Quadros [1961] e João Goulart [1961-1964] e que foi abruptamente cortada quando houve o golpe militar. Não quero dizer que não tenha havido elementos importantes em outros ministros, por exemplo o próprio [Mário] Gibson Barbosa [1969-1974] fez um esboço de política africana que teve um mérito. Mas Silveira adotou uma linha política em que retomou em vários temas diretrizes que inspiraram a 'política externa independente', naturalmente adaptada ao momento e com as limitações do momento.


Por exemplo, houve o reconhecimento [da independência] de Angola, um fato lembrado até hoje por onde você passa. Foi uma obra que envolveu o embaixador Ovídio Melo [que chefiava a missão em Luanda], o embaixador Ítalo Zappa [então chefe do Departamento de África]. Houve o reconhecimento da República Popular da China, uma aproximação muito grande com os países árabes.

Claro que houve limitações, que o governo da época impunha, como no caso de Cuba. Ainda assim, houve uma atitude corajosa, que eu testemunhei como jovem secretário na OEA [Organização dos Estados Americanos], em uma reunião de consultas sob o amparo do Tiar (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca). Nessa reunião o Brasil se absteve numa resolução que propunha o fim das sanções. É verdade que na OEA a abstenção conta como voto contra, porque é necessário um certo número de votos positivos. Mas, no lado simbólico, o fato de o Brasil em pleno governo militar ter se abstido não deixou de ser um passo.

O ministro Silveira deixou uma marca de estadista na política externa, valendo-se de circunstâncias da época _é preciso ver a oportunidade. A crise do petróleo facilitou a aproximação com os árabes e o presidente Geisel tinha interesse na questão petrolífera, por ter sido presidente da Petrobras. Ele soube usar isso de maneira positiva, de modo que o Brasil, que tinha ficado com uma política externa muito acanhada nos primeiros anos do regime militar, voltou a ter uma presença maior, uma atuação mais ampla, menos cerceada por dogmas políticos. Ele fala muito do não alinhamento automático, e era tão pouco automático que não era alinhado nem aos Não Alinhados. Foi um momento criativo, que também enfrentou dificuldades. Algumas só puderam ser resolvidas mais tarde, como o problema de Itaipu [o acordo com a Argentina sobre a construção da represa só veio no governo Figueiredo].

O mundo de hoje é muito complexo, tem outras coisas a serem levadas em conta. [Ver identidade entre as políticas externas de Geisel e de Lula] seria uma coisa simplificadora. Mas, se você for considerar historicamente, incluindo a 'política externa independente' e o 'pragmatismo responsável', a política externa do presidente Lula retoma alguns temas de afirmação de uma posição internacional do Brasil, uma visão ampla dos interesses brasileiros, não limitados a esta ou aquela potência. Há pontos de contato, sobretudo no tipo de ânimo da política, mas os problemas se modificaram. Naquela época não houve uma ênfase na integração sul-americana, que hoje é uma matriz central da política externa.

A política externa atual é indelevelmente marcada pela figura do presidente Lula e pela eleição do presidente Lula. É muito difícil não ver nisso um salto. Você pode criticar ou elogiar, mas ela não é uma mera continuidade [da política do governo FHC]. Silveira costumava dizer que o Brasil pode abdicar de tudo, menos da sua grandeza. Ele não tinha uma visão de um Brasil pequeno, limitado, que não pode fazer nada sem pedir licença. Isso é um lado com o qual eu me identifico muito e acho que é possível ver um ponto de contato. Agora, sobre quem é herdeiro [de Silveira], eu não tenho reivindicação."

Leia abaixo o depoimento do ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, sobre Antônio Azeredo da Silveira, chanceler do governo Geisel (1974-1979), cuja última entrevista está sendo publicada em livro. Pinheiro Guimarães, que foi secretário-geral do Itamaraty entre 2003 e 2009, deu o depoimento por escrito.

"Azeredo da Silveira, chanceler de Geisel, foi responsável por radical atualização e diversificação da política externa.

Na África, o Brasil abandonou o apoio ao colonialismo português, reconheceu a independência de Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau e assumiu posição contrária ao apartheid.

Na Ásia, o Brasil encerrou longo período de apoio a Taiwan, estabeleceu relações diplomáticas com a República Popular da China e reconheceu o princípio de uma só China. O Brasil inaugurou um ciclo de cooperação com o Japão que resultou em grandes investimentos.

Na Europa, Geisel visitou França, Inglaterra e Alemanha, com a qual assinamos o acordo que deu início ao programa nuclear, com efetiva transferência de tecnologia. Diante das pressões americanas, contrárias à autonomia brasileira na área de informática e na área nuclear, o Brasil afirmou sua soberania, o que levou à denúncia do acordo militar Brasil-Estados Unidos.

No Oriente Próximo, o Brasil, em decorrência da crise do petróleo, desenvolveu intensa aproximação com os países árabes e reiterou o apoio à causa palestina. Na América do Sul, foi assinado o acordo para a construção de Itaipu, e para o fornecimento de gás boliviano, além do Tratado de Cooperação Amazônica. No âmbito das Nações Unidas, o Brasil apoiou a construção de uma nova ordem econômica internacional e destacou-se na luta pela descolonização."

Leia abaixo o depoimento do ex-chanceler (1997-2001) Luiz Felipe Lampreia sobre Antônio Azeredo da Silveira, chanceler do governo Geisel (1974-1979), cuja última entrevista está sendo publicada em livro. Lampreia trabalhou com Silveira na missão em Genebra, no final dos anos 60, e como assessor econômico e porta-voz do Itamaraty sob Geisel.

"Eu talvez tenha sido a pessoa mais próxima do Silveira porque comecei a trabalhar com ele nos anos 60, quando ele era chefe do Departamento de Administração. Ele foi de uma ousadia tremenda em sua entrada no circuito mais diplomático mesmo, quando organizou uma conferência de chanceleres da OEA (Organização dos Estados Americanos) que aconteceria no Rio em 1966. Se opôs à posição do governo brasileiro, que no período Castelo Branco (1964-1967) era a favor de uma força interamericana permanente, nos moldes da que interveio na República Dominicana em 1965 [com apoio do Brasil]. O Silveira saiu pela América Latina afora, visitando os países que ele sabia que eram contra México, Argentina, Colômbia, Uruguai e organizou-se uma frente de resistência. No fim, o assunto nem foi colocado na reunião.

A política externa, pelo menos no período republicano, sempre foi basicamente uma aliança com os EUA. A partir do final dos anos 70, não houve exatamente uma ruptura, mas uma tomada de distância relativa _a não adesão ao Tratado de Não Proliferação [1968] é uma mostra, a declaração de soberania sobre as 200 milhas marítimas (1970) é outra. Daí por diante isso virou um paradigma novo, não houve mais um retorno a uma posição que se chamava de alinhamento automático.

Houve uma coincidência de intenções entre Silveira e [o presidente Ernesto] Geisel. Quando Geisel foi indicado [à Presidência, pelos militares], ele disse [a Silveira]: 'Eu o escolhi porque você é a pessoa que vai fazer a política externa que eu quero implementar'. Estava certíssimo disso, inclusive talvez até fosse mais categórico no distanciamento dos EUA do que o próprio Silveira.

Silveira tinha uma postura muito desconfiada em relação à Argentina. Ele serviu duas vezes em Buenos Aires e desse período terá ficado alguma amargura. Ele achava que o caso de Itaipu [os argentinos se opuseram inicialmente à construção da represa] era decisivo porque o establishment militar argentino e de modo geral a diplomacia argentina queriam impedir Itaipu. No fundo queriam que o Brasil não crescesse tanto. Naquela época, havia um grande enrijecimento dos militares que estavam no poder num país e no outro, e talvez também das próprias burocracias estatais. É um fato completamente diferente do que existe hoje.

Silveira é considerado por alguns uma espécie de predecessor de uma política externa de esquerda, como a foi que foi praticada durante o atual governo. Ele não era isso, não era uma pessoa que pudesse ser categorizada. Ele tinha uma visão muito forte do interesse nacional, uma visão do Estado. Não tinha um conteúdo ideológico, certamente não creio que ele se curvasse à nacionalização da Petrobras na Bolívia sem nem sequer protestar ou coisas do gênero.

Era um homem muito pragmático. Não era antiamericano, tanto que ele estabeleceu com [o secretário de Estado Henry Kissinger], enquanto pôde, uma relação que considerava muito importante para o Brasil. Ele achava que os EUA eram capazes de dar ao Brasil um peso e uma consideração internacional que o Brasil nunca tinha tido. Depois desembocou no desastre do [Jimmy] Carter [1977-1981], sobretudo na área nuclear [os EUA pressionaram a Alemanha, que acabou não transferindo ao Brasil tecnologia de enriquecimento de urânio].

Tanto a questão nuclear como a dos direitos humanos foram determinantes [para o esfriamento das relações com os EUA sob Carter]. Acho que o tema nuclear veio em primeiro, claramente, porque a primeira iniciativa foi mandar para cá o Warren Christopher [subsecretário de Estado] para colocar a coisa de maneira dura, e o Silveira também reagiu durissimamente. Depois veio a questão de direitos humanos, mas sobretudo de democracia, de abertura. Isso causou muito mal estar no Geisel porque ele achava que jogava no colo da linha dura e criava uma dificuldade para ele no processo que estava manejando para superar o [Sílvio] Frota [ministro do Exército, que se opunha à abertura]."

África é uma mina de ouro para os investimentos - MNE chinês

fonte: Angola Press

Windhoek - O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Yang Jiechi, comparou hoje (quinta-feira, 05-01-2012) a África a uma "mina de ouro" para os investimentos estrangeiros, e prometeu sensibilizar as empresas chinesas ao respeito do direito do trabalho em África, noticia a AFP.

"A África é uma terra fértil para os investimentos estrangeiros, e isto é uma mina de ouro para atrair os investidores estrangeiros, especialmente para (construir) as infra-estruturas, que são o sangue e os músculos de um país", declarou Yang Jieng após um encontro com o seu homólogo namibiano, Utoni Nujoma, no termo da última etapa de uma digressão que o conduziu ao Níger e Côte d'Ivoire.

Aos que acusam às empresas chinesas de maltratar o direito do trabalho, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros respondeu que não pode dizer que todas as empresas chinesas são geridas perfeitamente" ,admitiu Yang.

"Mas nós temos dito às nossas empresas de se conformarem com o direito local", vincou o ministro.

Os dois ministros assinaram um acordo de cooperação, que prevê nomeadamente, um empréstimo à Namíbia de 2,5 milhões de euros.

Segundo as cifras da Câmara Namibiana de Comércio e Indústria, 27 sociedades chinesas estão actualmente activas na Namíbia nos domínios de trabalhos públicos, minas, engenharia, tecnologia de informação e nos serviços financeiros.

De acordo também com um relatório do Banco Mundial (BM) datado de Dezembro de 2011, pelo 35 mil chineses vivem na Namíbia, um país de dois milhões de habitantes.

A China é omnipresente em África, tanto nas empresas de exploração dos recursos minerais  as de investimentos de infra-estruturas, estradas, comboios, energia.

Na Namíbia, a China concedeu esses últimos anos uma ajuda directa em construção de estradas, escolas e de hospitais nas regiões afastadas.

1991: Começa operação Tormenta no Deserto ("Operation Desert Storm ")

fonte:Calendário Histórico - Deutsche Welle
 

No dia 17 de janeiro de 1991, soldados de 31 países aliados iniciaram uma ofensiva contra o Iraque, em represália à invasão daquele país no Kuwait, em 2 de agosto do ano anterior.


"Há duas horas, os aviões dos aliados iniciaram um ataque contra alvos militares no Iraque e no Kuwait. Enquanto falo aqui, os bombardeios prosseguem. Esse conflito iniciou-se no dia 2 de agosto, quando o ditador do Iraque atacou seu pequeno vizinho indefeso."
Desta maneira, o então presidente dos Estados Unidos, George Bush (pai) comunicou aos norte-americanos o início dos bombardeios em 17 de janeiro de 1991, duas horas depois do começo da "Operação Tormenta no Deserto". O presidente iraquiano, Saddam Hussein, invadira o Kuwait em agosto de 1990, e pouco tempo depois proclamara o emirado província iraquiana. O motivo do ataque foram dívidas de Bagdá, de cerca de 80 bilhões de dólares, criadas durante a guerra com o Irã. Os principais credores eram o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos.
A economia iraquiana estava muito enfraquecida devido aos altos gastos militares durante a primeira Guerra do Golfo. Além disso, os jovens soldados iraquianos não conseguiam emprego. Saddam exigia que os dois credores diminuíssem a quantidade de petróleo explorado, para que o Iraque pudesse vender mais. Como os dois países se negassem a aceitar a exigência, o ditador em Bagdá viu na invasão a possibilidade de fortalecer seu poder na região.
Arrogância
Saddam Hussein menosprezou a reação internacional. Em vista do importante papel estratégico da região, os Estados Unidos não aceitaram mudanças nas relações de poder. O Conselho de Segurança das Nações Unidas chegou a exigir ainda a 2 de agosto a retirada imediata e incondicional dos iraquianos do Kuwait e, quatro dias mais tarde, impôs um embargo militar e financeiro contra Bagdá.
Seis dias após o ataque iraquiano ao Kuwait, George Bush mobilizou, contra a vontade de seu secretário de Estado, James Baker, 400 mil soldados para defender a Arábia Saudita. Em pouco tempo, formou-se um bloco anti-iraquiano de cerca de 30 países, que ia desde os aliados ocidentais até a Síria e o Egito.
Vendo-se isolado, o ditador iraquiano começou a jogar o jogo dos palestinos, que aceitaram o apoio de bom grado. Seguiu-se uma conferência do Oriente Médio, em que Hussein condicionou a saída iraquiana do Kuwait à retirada israelense dos territórios palestinos ocupados. A sugestão foi rejeitada pelos Estados Unidos, enquanto Saddam ameaçou com a destruição de todos os campos de exploração de petróleo.
O último prazo para a resolução diplomática do conflito expirou no fracassado encontro entre Baker e seu homólogo iraquiano Tariq Aziz, no dia 9 de janeiro de 1991, em Genebra. Hussein, por seu lado, deixou expirar o ultimato à meia-noite de 15 de janeiro, confiando na predisposição de 10 mil homens de se sacrificarem pela pátria.
Em 17 de janeiro de 1991, Bush ordenou o início da operação ao general Norman Schwarzkopf. Os aviões das tropas aliadas voaram em mais de 1.300 missões nas primeiras 14 horas da operação. Os bombardeios arrasaram os complexos militares e industriais do Iraque.
Hussein tentou demonstrar indiferença. Parecendo não estar intimidado, nem ordenou que fossem apagadas as luzes de Bagdá na primeira noite dos ataques. Pelo contrário, proclamou o início da "mãe de todas as batalhas" e ordenou bombardeios contra Israel.
Catástrofe ecológica
Apesar da morte de 13 israelenses, Ytzhak Rabin renunciou à retaliação e seguiu a estratégia ocidental. Depois de uma ofensiva terrestre, Saddam Hussein se rendeu em 28 de fevereiro de 1991, e assinou um acordo unilateral de cessar-fogo. Antes, ainda mandou incendiar 700 poços de petróleo no Kuwait, provocando uma catástrofe ecológica sem precedentes. O fogo demorou oito meses para ser apagado.
O saldo de mortos nunca ficou claro: entre 85 mil e 250 mil soldados do Iraque, entre 40 mil e 180 mil civis iraquianos, entre 4 mil e 7 mil kuwaitianos, e possivelmente 343 soldados aliados.
 
Frank Gerstenberg (rw)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Chipre quer dialogar com Turquia para reduzir a tensão no país

fonte: www.itamaraty.gov.br

04/01/2012

O presidente do Chipre, Dimitris Christofias, se mostrou disposto a se reunir com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, para reduzir a tensão entre os dois países, agravada pela exploração de jazidas de gás nas águas da ilha.

"Disse várias vezes que quero encontrar com Erdogan. Mas ele não aceita nem sequer um encontro informal. Pessoalmente desejo uma visita tête-à-tête, inclusive se for em segredo. Não sei se ele recebe informações fidedignas e corretas sobre nossas posições", disse Christofias em entrevista ao canal "NTV".

O Chipre assumirá em julho a Presidência da União Europeia, momento no qual a Turquia anunciou que congelará seus vínculos com a união, a não ser que seja resolvido o conflito da ilha, dividida desde 1974 entre a República do Chipre e uma república controlada pela Turquia reconhecida somente por Ancara.

"Iria imediatamente se recebesse um convite de Erdogan. Estou pronto para ir a Istambul ou Ancara", declarou o presidente do Chipre de acordo com o jornal "Hürriyet".

Christofias definiu como irrelevante a Presidência cipriota da UE para as relações da Turquia com Bruxelas, já que França e Alemanha continuariam contra o ingresso do país no clube europeu, inclusive sem o conflito cipriota.

Ele afirmou que suas negociações com o presidente da parte turca do Chipre, Dervis Eroglu, incentivadas pelas Nações Unidas, não vão bem e que não faria sentido comparecer à segunda rodada em Nova York, prevista para o final de janeiro, se não tiver progressos antes.

Nesta quarta-feira, Christofias e Eroglu se reunirão novamente no Chipre. O presidente cipriota atribuiu à Turquia a última crise, desencadeada pela prospecção de jazidas de gás natural no mar ao sul da ilha, e se queixou que Ancara não respeita a legalidade internacional.

O líder cipriota assegurou que se for solucionado o conflito, os dois países poderiam se beneficiar dessas jazidas.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

BBC Country profile - Bulgaria

fonte: BBC

Country profile

Map of Bulgaria
Bulgaria, situated in the eastern Balkans, has been undergoing a slow and painful transition to a market economy since the end of Communist rule in 1991.

A predominantly Slavic-speaking, Orthodox country, Bulgaria was the birthplace of the Cyrillic alphabet, which was created there towards the end of the 9th century AD.

It was long influenced by Byzantine culture and was part of the Ottoman Empire for 500 years before gaining its independence in the 19th century.
After World War II it became a satellite of the Soviet Union, but is now a member country of the EU and NATO.

Overview

Its transition to democracy and a market economy after the collapse of communism has not been easy and the country is striving to boost low standards of living.

Throughout the early 1990s Bulgaria was wracked by political instability and strikes. The former communists were a powerful influence. Although the end of the decade was more stable, there was little tangible progress with economic reform.

Under Bulgaria's former king, Simeon II, who was prime minister between 2001 and 2005, the country pressed ahead with market reforms designed to meet EU economic targets.

It achieved growth, saw unemployment fall from highs of nearly 20% and inflation come under control but incomes and living standards remained low.
Rila monastery, south-west Bulgaria
Rila monastery: National symbol has world heritage status

Bulgaria was not among the countries invited to join the EU in 2004. However, it signed an EU accession treaty in April 2005 and joined in January 2007 - at which point Cyrillic became the third official alphabet of the EU, following the Latin and Greek alphabets.

EU officials set tough entry requirements, reflecting their concerns about corruption and organised crime. After a series of reports found that the Bulgarian government had failed to tackle these issues effectively, the EU announced in July 2008 that it was suspending aid worth hundreds of millions of euros.

In September 2010, the EU again called on Bulgaria to take urgent action to tackle crime and corruption, and later in the year France and Germany announced that they would block Bulgaria from joining the Schengen passport-free zone until the country had made "irreversible progress" in this area.

Another cause of friction has been the Kozloduy nuclear power plant, which supplies over a third of Bulgaria's electricity.

Amid concerns over the safety of communist-era nuclear facilities, four of Kozloduy's six reactors were shut down as a price for Bulgaria's EU membership, two of them closing just minutes before the country joined the EU.
In a bid to offset the loss of production at Kozloduy and restore its position as a major power exporter in the Balkans, Bulgaria revived plans for a second nuclear power plant, though these were later put on hold because of a lack of funds for construction of the plant.

Bulgaria is also involved in two rival gas pipeline projects: Russia's South Stream pipeline and the EU-backed Nabucco pipeline.

Facts

  • Full name: Republic of Bulgaria
  • Population: 7.5 million (UN, 2010)
  • Capital: Sofia
  • Area: 110,994 sq km (42,855 sq miles)
  • Major language: Bulgarian
  • Major religion: Christianity
  • Life expectancy: 70 years (men), 77 years (women) (UN)
  • Monetary unit: 1 lev = 100 stotinki
  • Main exports: Chemicals and plastics, food and drink, tobacco, machine-building equipment
  • GNI per capita: US $6,270 (World Bank, 2010)
  • Internet domain: .bg
  • International dialling code: +359

Leaders

President-elect: Rosen Plevneliev
Rosen Plevneliev, a former construction minister, won the presidential elections in a run-off in October 2011.

Bulgarian President Rosen Plevneliev

Rosen Plevneliev

He is due to take office on 23 January for a five-year term in the job which carries limited real powers.

As the ruling GERB party candidate, Mr Plevneliev's victory was expected to provide a boost to Prime Minister Boiko Borisov before the election in 2013, and bolster the government's push for painful economic reforms.

The election campaign was marred by rallies against the Roma minority and corruption. The Organisation for Security and Cooperation in Europe (OSCE), which monitored the election, reiterated concerns about suspected vote-buying and pressure on voters.

Although the president is head of the armed forces, the role is largely ceremonial. Legislative power is exercised by the prime minister and parliament.

Prime minister: Boiko Borisov
The centre-right GERB party led by Sofia mayor Boiko Borisov was the clear winner in general elections held in July 2009.
Voters punished the Socialist-led governing coalition of Sergei Stanishev for failing to crack down on corruption and organised crime.
Mr Borisov's poll campaign centred on promises to jail corrupt officials and mafia bosses and pull the country out of its worst economic downturn in years.
Boiko Borisov

Boiko Borisov

Mr Borisov is a black belt and former coach of the national karate team, who began his career as a fireman in Communist Bulgaria. He created a private security company in the early 1990s and was bodyguard to both the ousted dictator Todor Zhivkov and to exiled Bulgarian king Simeon Saxe-Coburg-Gotha.


After Mr Saxe-Coburg-Gotha became prime minister in 2001, he appointed Mr
Borisov to one of the top jobs in the Interior Ministry.
While there, Mr Borisov earned himself the image of a tough operator, but his critics accused him of populism, arguing that his well-publicised actions did not result in a serious crackdown on organised crime.

He was elected an MP in 2005, but resigned his seat, opting to run successfully for mayor of the capital Sofia several months later. He formed GERB (Citizens for European Development of Bulgaria) the following year.

As leader of the new government, Mr Borisov faced the task of changing Bulgaria's image as one of Europe's most corrupt countries in the middle of an economic crisis.

Media

Global media giants have a stake in Bulgaria's lively broadcasting market. Balkan News Corporation - part of News Corporation - operates bTV, the country's first national commercial channel. A Scandinavian group operates national station Nova TV. A third national network, TV2, is Bulgarian-owned.

There are several private regional TV channels and many private radio stations. Freedom of the press is guaranteed under the constitution.

In 2009, Paris-based Reporters Without Borders warned that investigative journalism and media pluralism were "seriously threatened" by organised crime and pressure from political and business quarters.

Some 3.4 million Bulgarians were online by June 2010. (Internetworldstats).

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Acordo estimula comércio entre Brasil e África


Convênio entre os portos de Fortaleza e de Cabo Verde deve ser assinado nesta terça-feira
fonte: SEBRAE

Divulgação
Porto de Fortaleza Porto de Fortaleza 

Fortaleza - A Companhia Docas do Ceará (CDC), empresa responsável pelo porto de Fortaleza (Mucuripe), assina nesta terça-feira (10) protocolo de cooperação com a Enapor S.A., que administra os portos da República de Cabo Verde. O acordo viabiliza a ligação comercial marítima entre os dois terminais e atende à demanda de comércio bilateral entre Brasil e África.

A ideia é estender as exportações brasileiras aos demais países africanos usando os Portos de Cabo Verde ao invés do Porto das Ilhas Canárias. A meta é escoar não apenas cargas cearenses por Mucuripe, mas também de outros estados.Com a medida, espera-se ganhar mais rapidez e economia.

As negociações para a assinatura do protocolo tiveram a intermediação do Sebrae no Ceará. O governo de Cabo Verde interessou-se em expandir seu mercado para o Brasil principalmente por causa da atual crise econômica mundial, que reduziu o trânsito de mercadorias do país africano para a Europa e os Estados Unidos.

A aproximação entre os portos de Fortaleza e Cabo Verde é resultado do trabalho de cooperação técnica realizado pelo Sebrae no estado e a Associação Brasileira dos Sebrae Estaduais (Abase), em parceria com a Companhia Docas do Ceará (CDC), Câmara Brasil Angola no Ceará, Câmara Brasil Portugal no Ceará, as Câmaras de Comércio de Sotavento e Barlavento, FIC – Zona Franca Comercial de Cabo Verde, Agência de Empreendedorismo, Desenvolvimento e Inovação de Cabo Verde e a Agência Caboverdiana de Investimentos, com apoio da Embaixada Brasileira em Cabo Verde.

O trabalho de cooperação técnica incluiu a realização de um estudo de logística, contratado pela Abase, que avaliou as possibilidades reais de negócios entre o Nordeste brasileiro e os países africanos, principalmente os da Costa Oeste, como Angola, São Tomé e Príncipe, e Cabo Verde, além de Moçambique, na Costa Leste. Existe ainda a expectativa de incluir Senegal e Guiné Bissau, negociação incentivada pela posição geográfica estratégica do Ceará.

O convênio prevê, entre outras coisas, a transferência de tecnologia, de documentação e de estatísticas. A viabilização da nova rota deverá ser um marco nas relações comerciais e de cooperação do Brasil com a África, e posicionará o Ceará como como porta de entrada para o continente, em especial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Agronegócio faz Brasil deixar de ser mero exportador de produtos e matérias primas

Fonte: Zé Dirceu
 
Publicado em 11-Jan-2012
 
ImageMais do que palmas - merecidas - o desempenho do agronegócio brasileiro em 2011, conforme o balanço divulgado pelo Ministério da Agricultura nesta 3ª feira (ontem), vale uma detida reflexão sobre as políticas que adotamos e as que podemos implementar para o setor.

Discutido, combatido por algumas áreas, nosso agronegócio bate recordes e produção, comercialização e exportação a cada ano. Mais do que isso, mostrou-se mais uma vez o grande responsável pelo nosso superávit comercial em 2011.

Os números, então, deste balanço são dignos de todos os elogios. As exportações do agronegócio subiram 24% em 2011, bateram novos recordes e o mostram como o principal responsável pelo bom desempenho das nossas vendas externas. A balança comercial do setor apresentou o melhor resultado desde 1997. Com destaque para a soja.

Em 2012 o agronegócio pode ultrapassar os US$ 100 bi

As exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 94,59 bi, valor 24% superior ao alcançado em 2010 (de US$ 76,4 bi). Uma performance que simplesmente motiva o Ministério da Agricultura a estimar que o setor pode crescer mais 5,7% e ultrapassar a barreira simbólica dos US$ 100 bi em 2012.

O saldo do setor agropecuário no ano que passou foi quase três vezes superior ao acumulado no resultado global da balança comercial brasileira, que fechou o ano de 2011 com superávit de US$ 29,8 bi. Foi o melhor ano para a balança comercial do agronegócio desde 1997.

Os produtos do complexo soja (grão, farelo e óleo) lideram o crescimento das vendas, mas os setores sucroalcooleiro e de carnes também se destacaram nas nossas exportações que tiveram como principais destinos os mercados da União Europeia, China, Estados Unidos, Rússia e Japão.

A agroindústria sustenta nossa balança comercial


Como vemos a agroindústria sustenta nosso superávit comercial. E a renda proporcionada pelo campo serve, ainda, como base para a acumulação de capital. Sem contar que não é produção e exportação de matéria prima, já que a maior parte - muitas vezes, mais de 2/3 da produção do agronegócio - é industrializada e vendida no mercado intermo.

É uma atividade que se sustenta, portanto, e ao mesmo tempo apóia um amplo setor de industrialização - desenvolvido com com tecnologia genética de beneficiamento.

Fora o dado, inconteste, de que o nosso agronegócio tornou-se uma importante alavanca para impulsionar a ampliação do nosso mercado interno de consumo, o que cria empregos e gera e amplia a renda nacional.

Sem contar que, em relação ao agronegócio, não estamos nem podemos falar em produção primária ou de commodities como no passado. Aliás, graças ao agronegócio, deixamos para trás os tempos em que o Brasil era um mero pordutor e exportador de matéria prima.

Etanol brasileiro terá livre acesso aos EUA em 2012 depois de mais de 30 anos de protecionismo

23/12/2011
fonte: UNICA

Pela primeira vez em mais de três décadas de forte apoio governamental à produção doméstica e elevadas tarifas contra importações, o mercado dos Estados Unidos finalmente vai se abrir para o etanol brasileiro de cana-de-açúcar. A legislação americana vigente, que inclui altos subsídios para a indústria do etanol e uma pesada tarifa contra o produto importado, expira no dia 31 de dezembro. Mas, com o fim das atividades no Congresso americano para 2011 nesta sexta-feira, não haverá mais oportunidade para qualquer medida que impeça a abertura para o etanol brasileiro, a partir do primeiro dia de 2012, do maior mercado consumidor de combustíveis do mundo.
 
Apesar de diversas articulações pela extensão dos subsídios e da tarifa durante as últimas semanas de trabalho do Legislativo americano, prevaleceu a coalizão formada por inúmeras empresas e entidades contrárias a esses incentivos, da qual participa a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). Nos últimos meses, a coalizão intensificou seu trabalho contra os subsídios pagos às distribuidoras que fazem a mistura de etanol à gasolina – subsídios que custam ao contribuinte americano cerca de US$6 bilhões por ano. O trabalho também foi intenso contra a manutenção da tarifa de US$0,54 imposta por Washington sobre cada galão importado. A tarifa impedia que o etanol brasileiro chegasse ao mercado americano com preços competitivos.

Acabar com o apoio do governo americano ao etanol doméstico e eliminar barreiras para a entrada do etanol brasileiro eram os principais objetivos do escritório da UNICA estabelecido em Washington em 2007. A nova realidade, de acesso desobstruido aos EUA para o etanol brasileiro a partir de janeiro de 2012, exige um novo tipo de acompanhamento, com foco em posições maduras e voltadas para o futuro por parte dos dois países, na visão do presidente da UNICA, Marcos Jank.

“Este é o momento em que Brasil e Estados Unidos, que juntos respondem por mais de 80% do etanol produzido no mundo, devem mostrar liderança e trabalhar juntos para criar um verdadeiro mercado global para o etanol, livre de barreiras tarifárias, a exemplo do que já acontece com o petróleo. Os dois países devem dar o exemplo e incentivar o resto do mundo para que produza e utilize mais etanol,” afirmou Jank.

O fim da tarifa e dos subsídios dos EUA ao etanol ocorre pouco depois do final da 17ª Reunião da ONU sobre o clima, a COP-17, realizada em Durban, na África do Sul. Naquela oportunidade, os países participantes se comprometeram a reduzir suas emissões e prorrogar o Protocolo de Kyoto até pelo menos 2017. Para Marcos Jank, as conclusões da COP-17 representam uma grande oportunidade global para o etanol, particularmente o de cana-de-açúcar.

“O etanol de cana produzido no Brasil já é reconhecido como o melhor biocombustível do mundo em termos de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa. Esse reconhecimento veio, inclusive, do governo americano, através da Agência de Proteção Ambiental do país (Environmental Protection Agency, ou EPA), que designou o etanol de cana como ‘biocombustível avançado,’ com até 90% de redução de emissões de CO2 comparado com a gasolina. Agora é preciso promover a forte contribuição que o etanol de cana pode trazer para reduzir emissões mundialmente,” disse o presidente da UNICA.

Jank vê no fim de barreiras tarifárias nos EUA o caminho aberto para que as diferentes matérias primas utilizadas para produzir etanol, como o milho, a beterraba e a cana, sejam avaliadas exclusivamente com base em suas características para produzir biocombustíveis eficientemente. “O que conta é o baixo uso de energia fóssil para produzir a mais elevada quantidade de energia renovável possível, algo que a cana faz melhor do que qualquer outra matéria prima. E na atual conjuntura global, vale muito a redução de emissões de gases que causam o aquecimento global, ponto muito forte do etanol de cana. O que não pode prevalecer é a proteção política à matéria prima deste ou daquele país,” frisou.

Jank lembrou que a vitória para o etanol brasileiro em Washington vem em um momento de transição para o setor sucroenergético brasileiro, que se esforça para voltar a crescer e atender à demanda por seus produtos, que aumenta fortemente dentro e fora do Brasil. “Hoje a prioridade é atender o mercado doméstico, mas com o fim da tarifa americana, é possível visualizar a consolidação do etanol como commodity internacional, como já acontece com o açúcar. É um objetivo que o presidente Lula perseguiu durante oito anos, que pode começar a acontecer e ajudar a incentivar um novo ciclo de crescimento no setor sucroenergético brasileiro,” afirmou.

Marcos Jank concluiu lembrando o forte apoio que todo o trabalho internacional da UNICA vem recebendo desde 2008 da Apex-Brasil, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. Inúmeras ações conjuntas da UNICA e da Apex-Brasil foram realizadas em todos os continentes, graças à parceria firmada entre as duas entidades pela disseminação global do etanol brasileiro como biocombustível limpo e renovável.

“O apoio da Apex-Brasil foi fundamental para o sucesso desse esforço em benefício do etanol brasileiro e do próprio país. Não poderíamos deixar de registrar a importância dessa parceria em um momento tão positivo para o setor sucroenergético brasileiro,” concluiu Jank.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Entrevista concedida pelo Ministro Celso Amorim a correspondentes estrangeiros

Entrevista concedida pelo Ministro Celso Amorim a correspondentes estrangeiros no Palácio Itamaraty do Rio de Janeiro, em 11 de novembro (setembro?) de 2009.

fonte: youtube / MRE Brasil





02:00 – Pergunta 1: Rodada Doha, OMC, Rodada Uruguai, Brasil-UE, Alca, Indústria Naval Brasileira, Genéricos, Crise Econômica 2008
07:08 – Pergunta 2: Solução de Conflitos
08:55 – Pergunta 3: Clima, COP 15 Copenhagen, REDD, Energia, Meio Ambiente, George Monbiot
13:30 – Pergunta 4: Reforma do CSNU, Defesa Brasileira
16:10 – Pergunta 5: Contencioso do Algodão
21:10 – Pergunta 6: Defesa Brasileira, Discurso de Lula na ONU, Brasil-EUA
27:00 – Pergunta 7: Defesa Brasileira, UNASUL
33:20 – Pergunta 8: Brasil-Angola, Brasil-África, Embaixador Ovídio de Mello, Mercosul, Tarifa Externa Comum
39:56 – Pergunta 9: Defesa Brasileira
40:23 – Pergunta 10: IBAS, (46:23) Brasil-França, (48:15) Defesa Brasileira
48:27 – Pergunta 11: Brasil-Itália, Cesare Battisti
52:15 – Pergunta 12: Brasil-Alemanha, Política Externa Governo Lula
55:42 – Pergunta 13: COP 15 Copenhagen, Pré-Sal, REDD, Energia,
58:55 – Pergunta 14: G20, Governança Global, BRICS
1:03:10 – Pergunta 15: Brasil-Irã
1:07:24 – Pergunta 16: Defesa Brasileira

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Brasiliens Fußballer zieht es in die Heimat



fonte: Deutsche Welle
 
Für die Fans von Werder Bremen-Fans kam die Nachricht überraschend: Nachdem bereits Nationalspieler Per Mertesacker zum FC Arsenal gewechselt war, wollte auch Abwehr-Chef Naldo den Club in Richtung Internacional Porto Alegre verlassen. Doch noch überraschender war seine Erklärung: Die WM 2014 sei ein großes Ziel, so Naldo, "und ich denke, dass ich bei Internacional mehr Chancen auf die WM habe." Beim dreifachen brasilianischen Meister könne er auch in der Copa Libertadores – dem lateinamerikanischen Pendant zu Champions League – spielen, argumentierte Naldo, mit Werder Bremen dagegen "nur" in der Bundesliga. "Brasilien ist mein Land", sagte der 29-Jährige: "Man kann dort so viel Geld verdienen wie in Europa."

Zur Erleichterung der Werder-Fans hat sich das Naldo inzwischen wieder anders überlegt, doch trifft er mit seiner Meinung den Geist der Zeit. Brasilianische Fußballspieler bleiben immer häufiger in der Heimat oder kehren ins eigene Land zurück. Brasilien ist zwar weltweit nach wie vor der größte Lieferant talentierter Spieler, trotzdem bevorzugen inzwischen immer mehr Stars die heimischen Clubs.

Die WM lockt
Das Maracana-Stadion in Rio de Janeiro (Foto: dpa)
Das Maracana-Stadion in Rio de Janeiro 


Die brasilianischen Vereine verbuchen nicht zuletzt durch die boomende Wirtschaft höhere Gewinne. In zweieinhalb Jahren (12.06. - 13.7.2014) lockt zudem die Weltmeisterschaft im eigenen Land, und auch wegen der Wirtschaftskrise in Europa wollen immer mehr Spieler ihren Fußballtraum zuhause verwirklichen. Noch vor einigen Jahren konnten die Profis nur im Ausland die begehrten Millionenverträge abschließen. Heute sind die Verdienstmöglichkeiten auch in der Heimat verlockend – dank einer Mischkalkulation bei den Spielergehältern: Dabei bezahlen die brasilianischen Clubs eine Art Grundgehalt. Wirtschaftsunternehmen stocken das Gehalt durch lukrative Werbeverträge üppig auf.

Auf diese Weise gelingt es brasilianischen Clubs, Stars wie beispielsweise den erst 19-jährigen Wunderstürmer Neymar in Brasilien zu halten. Neymar, der bereits als Nachfolger des großen brasilianischen Fußballidols Pelé gehandelt wurde, verzichtete auf einen Platz im Kader großer Teams wie Real Madrid, FC Barcelona und dem FC Chelsea. Stattdessen verlängerte er seinen Vertrag beim FC Santos bis 2014.

Brasilien bleibt unversiegbare Talentquelle 

Der Direktor der brasilianischen Filiale der Sportmarketingagentur Prime Time Sport. Luiz Rocha, beschreibt die neuartige Entwicklung: "Vor einigen Jahren wäre es undenkbar gewesen, dass ein brasilianischer Fußballspieler auf einen Job bei Vereinen wie Real Madrid oder Barcelona verzichtet, um in Brasilien zu bleiben."
Eine Studie seiner Agentur bestätigt: Die Gewinne der Serie A, der ersten brasilianischen Liga, wachsen stärker als die Einnahmen der vergleichbaren europäischen Ligen. Zwischen 2008 und 2009 wuchsen die Einkünfte um zwölf Prozent. in Europa durchschnittlich nur um vier Prozent.

Das brasilianische Nachwuchstalent Neymar (Foto: dpa)Das brasilianische Wunderkind Neymar sagte selbst Real Madrid ab, um beim FC Santos zu bleiben

Obwohl Brasilien im weltweiten Vergleich immer noch der größte Spielerexporteur ist, ist die Zahl der brasilianischen Fußballlegionäre in Europa in den letzten Jahren nicht gestiegen. Die Studie der Agentur Prime Time Sport bestätigt sogar einen jährlichen Rückgang der Spielertransfers zwischen Europa und Brasilien. Somit stehen immer weniger brasilianische Spieler auf europäischen Fußballplätzen.

Rocha vermutet, dass Brasilien aber auch in der Zukunft eine große Quelle talentierter Fußballspieler bleibe. Die Mehrheit der Sportler träume immer noch von Europa. "Neymar ist ein sehr spezieller Fall. Für andere Spieler gibt es diesen Traum noch. Es wird nur immer kostspieliger, die Spieler aus Brasilien abzuwerben." Rocha geht davon aus, dass die europäischen Vereine auch weiterhin problemlos vor allem die weniger bekannten Talente aus den brasilianischen Regionalligen verpflichten werden.


Beispiel deutsches Sommermärchen 2006
Das Logo der WM 2014 (Foto: AP) 
Das Logo der WM 2014 

Marketing- und PR-Arbeit sind im brasilianischen Fußballgeschäft heute so wichtig wie nie zuvor. Die Spieler werden zu brasilianischen Werbeikonen und Botschaftern ihrer Teams. Mit dem wachsenden Werberuhm der Fußballspieler klingeln auch die Vereinskassen. "Ein Meilenstein im brasilianischen Fußballmarketing war 2009 die Rückkehr Ronaldos zum SC Corinthians Paulista", sagt der Sportexperte der Beraterfirma BDO RCS, Amir Somoggi. Die erfolgreiche Rückkehr des Weltfußballers bestätige den Erfolg der neuen Strategie bei den Spielergehältern und diente als Vorbild für andere Clubs.

Somoggi glaubt, der brasilianische Markt habe in Sachen Fußballmarketing noch viele Möglichkeiten und großes Wachstumspotential. "Wir liegen noch deutlich zurück. Es sollte im Marketingbereich noch große Entwicklungen geben", so Somoggi. Besonders von der Ausrichtung der Fußball-WM 2014 gingen große Impulse aus.

Somoggi sieht in dem internationalen Turnier eine große Chance für Brasilien. "Mit neuen Stadien und einer verstärkten Professionalisierung des Marketings können wir in den nächsten fünf Jahren auf ein großes Wachstum hoffen, so wie es auch im deutschen Fußball passiert ist. In Deutschland hatte die WM 2006 einen großen Werbeeffekt und verbesserte das Image des deutschen Fußballs enorm. Die Bundesliga ist zur wirtschaftlich zweitstärksten Liga Europas aufgestiegen - noch vor den Spaniern und Italienern."

Autor: Márcio Damasceno
Übersetzung: Anna Pellacini
Redaktion: Arnulf Boettcher

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Bear nettles the eagle, dragon smiles

By M K Bhadrakumar
fonte: Asia Times 

From an apparently impromptu remark on Monday, the United States has elevated the Russian parliamentary election held on December 5 to a core issue of US-Russia ties. The dramatic escalation of rhetoric scatters the continued pretences over the Barack Obama administration's "reset" of relations.

In a swift move, Beijing has also stepped forward to express understanding for Moscow. The faultlines will impact on the regional and international situation on a host of issues in the coming period.

To recap, US Secretary of State Hillary Clinton lost no time to offer comment on the Russian parliamentary election when speaking on the sidelines of the Bonn Conference II in Germany on Monday, she aimed barbs at the Kremlin claiming she was "worried" about the conduct of the ballot and "Russian people, like people everywhere deserve the right to have their voices heard and their votes counted".

Clinton spoke out even before the results of the election were fully available. In fact, a complete vote count was available from the vast regions of Russia only on Wednesday. It revealed that the ruling party United Russia (UR) suffered a severe jolt by losing as many as 77 seats they held in the outgoing 450-member parliament. The UR scraped through with a simple majority of 238 seats.
Clinton made it out to be that the Kremlin orchestrated a Soviet-style 98% victory for the UR. While Western media have gone to town interpreting the result as a big "defeat" for Prime Minister Vladimir Putin (who is making a bid for presidency in the election on March 4), Clinton argued in a diametrically opposite direction as if the Kremlin leadership trampled the popular opinion and consolidated its grip on power.

Curiously, Clinton didn't let go the topic after her remarks in Bonn, but revisited it the very next day to give a further stinging rebuke to the Russian leadership from a high-profile podium right in Russia's doorstep - Vilnius, Lithuania - in the presence of the entire community of the post-Soviet states and Old and New Europe. Her choice of the Organization of Security and Cooperation in Europe (OSCE) forum was particularly symbolic since the regional body is the inheritor of the Cold War legacy of the famous Helsinki Accords of 1975.

What prompted the US onslaught? A simple explanation could be that Clinton grabbed a chance to throw mud at Putin and make his bid for the presidency in the Kremlin in the Russian presidential election on March 4 as difficult and as controversial as possible.

A spring in mid-winter
Indeed, enough indications were available in recent weeks that Washington felt annoyed at the high probability of Putin's return as Russia's president at a formative period in world politics. Putin means an assertive Russia - a Russia that will negotiate hard to influence world events, a Russia that will cement its cooperation and coordination with China, a Russia that will forcefully counter the US's crucial Middle East project to re-establish its hegemony over the region in the new conditions of "democracy".

The Russian Foreign Ministry routinely ridiculed Clinton's remark, but Moscow's reaction finally came when Putin spoke on Wednesday after letting the US secretary of state say all she had to say. Putin tore into Clinton. He said:
I looked at the first reaction of our US colleagues. The [US] secretary of state was quick to evaluate the elections, saying that they are unfair and unjust, even before she received materials from the Office for Democratic Institutions and Human Rights [OSCE] observers. She set the tone for some actors in our country and gave them a signal. They heard the signal, and with the support of the US State Department, began active work.
Putin then went on to allege that "hundreds of millions" of foreign money have been used to influence the outcome of Russia's elections and Russia must protect its sovereignty:
When money from abroad is invested in political activities inside another country, this concerns us ... We are not against foreign observers monitoring our election process. But when they begin motivating some organizations inside the country, which claim to be domestic but in fact are funded from abroad ... this is unacceptable. We will have to think about improving our laws in order to make those fulfilling the tasks of a foreign state aimed at influencing our domestic [political] process more responsible.
The response is strongly worded, no doubt, and four things must be noted. One, this has been a rare personal accusation of Clinton herself for inciting instability in Russia. Two, Putin segregated the US State Department within the Barack Obama administration as working according to a plan of action. Three, Putin hinted at hard evidence of US meddling in the hands of the Russian intelligence. Finally, he 
indicated that Moscow won't take this lying low.

Clinton can hardly complain that Putin took a personal tone. The US State Department's campaign against Putin had of late assumed a vicious tone even by the standards of the tumultuous Russian-American relations. A fortnight ago Radio Liberty/Radio Free Europe (RFE/RL) featured a report over Putin's personal life, with the seeming intent of animating an anti-Putin tsunami in the social media network in Russia.

One cannot recall Russian official media descending to such abysmally poor taste to attack Bill Clinton even at the peak of the Monica Lewinsky sex scandal. In retrospect, the US seems to have anticipated that the Russian intelligence had come in possession of hard evidence pointing toward the American meddling in Russian politics. The RFE/RL commentary would appear to have been a diversionary measure to get the eagle out of the trap that was actually intended for the bear.

Clinton's attempt seems to have been broadly in the same direction when she took to the high ground and made Russia's election an epochal issue of the progress of democracy in the 21st century. From this point, actually, Obama administration is left with no alternative but the ridiculous one of kindling a Tahrir Square-like eruption in Moscow.

According to the tabulation by the New York Times, by Thursday evening more than 32,000 people had clicked a Facebook page to say they would gather near the Kremlin. The daily carefully assessed, "Even if half that number showed up, that would make it the largest political protest since the fall of the Soviet Union."

But the advent of the Arab Spring in the middle of the Russian winter in Moscow can only have predictable consequences. Beijing is also watching the unnatural phenomenon. If the New York Times senses that Putin "struggled to regain his footing after his party, United Russia, suffered big losses in the elections on Sunday", attentive observers in Beijing have concluded otherwise.

It's Putin, stupid!
Even as Clinton in spoke in Bonn on Monday, China's Foreign Ministry spokesman Hong Lei drew just the opposite conclusions. He said, "We [China] believe that the election will be beneficial for Russia's social unity, national stability and economic development." He said China respected the choice of the Russian people, and would work with the Russians to push forward the "comprehensive partnership of coordination" between the two countries.

China made a deliberate decision to take a clear-cut stance as early as Monday although the reverse suffered by UR in the poll was known in Beijing. The Xinhua news agency in a pithy comment with Beijing dateline on Monday had even added a note of caution:
Despite looking very likely to win the parliamentary election, many challenges lie ahead for Vladimir Putin's United Russia, as it comes to terms with a severely reduced majority. Some analysts are citing the poor state of Russia's economy for the drop in support. The party is also seen by many as having failed to reduce corruption, and not carrying out promises to improve government efficiency. There has also been a large amount of criticism of Putin's government on Internet chat rooms and online forums.
By Tuesday, however, Xinhua carried a full commentary strongly rebutting the US allegations and the "caricature-like description" of the "forgone conclusion that Russia's ruling party United Russia, led by Prime Minister Vladimir Putin, has won the State Duma elections".

The nuanced commentary estimated that the core issue was not 'democracy' in Russia, but Putin:
Putin's world-view is said to be 'anti-western' ... American politicians have no interest in seeing the 'tough guy' at the apex of Russian power ... the White House will not be delighted at the prospect of dealing with 'prickly' President Putin again ... Russia's election is just in line with its own interest, far from echoing the need of Western countries. Mrs Clinton's reaction seems understandable.
Xinhua noted that Russia's policies did not always concord with its own self-interest and at times Moscow preferred to act on issues in line with the "Western practice", but even then, such acts "could not be a precise docking" with the western agenda and therefore, Western pressures on Russia continue. The commentary, by the way, was attributed to the People's Daily columnist Li Hongmei.

Quite obviously, China is keeping in view the big picture of the power dynamic on 
the world scene. Beijing never quite concealed its high regard for Putin as a consistent advocate of the imperatives of Sino-Russian strategic ties. But the current acrimony in the US-Russia relations also comes at a crucial juncture for China.

On a range of fronts, coordination with Russia has become a very vital aspect of the Chinese regional policy. Not less than four times, top Chinese foreign ministry officials traveled to Moscow for consultations through the month of November.
The Russian-Chinese coordination is at an all-time high level. Their "joint" veto in the United Nations Security Council over the resolution regarding Syria has no parallel. They followed up blocking a resolution adopted by the UN Human Rights Commission at Geneva from being transferred to the Security Council in New York. Beijing helped Moscow to get the BRICS adopt Russia's stance on Syria as its common position.

On Iran, too, the two countries are thwarting the US moves to impose additional sanctions. (Russian envoy to the United Nations Vitaly Churkin recently suggested that it is time the UN Security Council rolls back even the existing sanctions regime.) On Asia-Pacific, Russia stands by China in accordance with the two countries' joint statement adopted last year in September.

Russia and China both oppose the establishment of US-North Atlantic Treaty Organization (NATO) military bases in Afghanistan. They are both interested in enhancing Pakistan's strategic autonomy. They worked together at the recent Istanbul conference (November 2) to derail Clinton's pet New Silk Road project. A high water mark will probably be reached when Russia's NATO envoy Dmitry Rogozin travels to Beijing (and Tehran) to discuss the US's missile defense (ABM) program, which is posing a major hurdle in the US-Russia relations.

Beijing has been closely but silently viewing the US-Russia shadow play over ABM and Rogozin's consultations must be on the basis of quiet signals that Beijing wants to talk things over. Russia and China have specific interests on the ABM issue, but any degree of coordination, however tentative, would still form a new template in international security.

Above all, Beijing counts on Putin to somehow ensure that the pending negotiations over a trillion-dollar gas deal are concluded at an early date. With the US establishing a military base in Australia and strengthening its presence in Singapore and also rallying the Asian countries to help revitalize its leadership role, China's energy security concerns are becoming acute.

In sum, the trajectory of the current US-Russia acrimony and Putin's success in weathering the furious American onslaught on his political career are of the highest importance to China. If the eagle has actually ended up in a trap it thought it had set up for the bear, that becomes a matter of joy for the dragon.

Ambassador M K Bhadrakumar was a career diplomat in the Indian Foreign Service. His assignments included the Soviet Union, South Korea, Sri Lanka, Germany, Afghanistan, Pakistan, Uzbekistan, Kuwait and Turkey.

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